NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL – NDPEP. Órgão suplementar da Reitoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba – IFPB. Objetivos básicos: o resgate e a preservação da memória da Instituição e a produção do conhecimento crítico sobre educação e história da educação profissional. Contato: ndpep@ifpb.edu.br ou nucleodoc.ifpb@gmail.com
terça-feira, 19 de setembro de 2017
sexta-feira, 14 de julho de 2017
quarta-feira, 5 de abril de 2017
FUNDAÇÃO DO DETI - 1961
No
princípio era o DETI e o DETI continha vozes que deram início ao movimento
estudantil organizado no Instituto Federal da Paraíba. Vozes impregnadas pelos
ideais de Che Guevara, pelo sonho de Martin Luther King e das mulheres que
comemoravam a conquista de estudar na Escola Industrial Coriolano de Medeiros.
Vozes dissimuladas que pairavam no ar, ora reverberadas pelos corredores, ora
ecoadas pelas salas de aula, pelos laboratórios e até no pátio da instituição
com gostinho de mobilização para combater ideias conservadoras.
Calma,
este não é o que parece à primeira vista: uma sinopse de um filme retratando a
organização do movimento estudantil. Trata-se da estratificação de uma pesquisa
realizada pelo Núcleo de Documentação e Pesquisa da Educação Profissional
(NDPEP) capitaneada pelo professor, historiador e pesquisador Luciano Candeia
em comemoração ao dia em que jovens estudantes da década de 1960 decidiram
unir-se por um só ideal: cultivar o sonho da liberdade plantando uma semente
denominada de Diretório Estudantil Técnico Industrial (DETI) que germinou
originando a entidade apelidada de Gretec (Grêmio Estudantil).
Portanto,
neste dia 05 de abril, os atuais estudantes e os egressos do Instituto Federal
da Paraíba têm muito o que comemorar, pois é a data de fundação da nossa
primeira organização estudantil. É o que revela preciosa pesquisa disponível ao
grande público no Núcleo de Documentação e Pesquisa da Educação Profissional
(NDPEP), localizado no Edifício Coriolano de Medeiros, prédio sede da Reitoria
do IFPB.
Sabe-se
que as informações sobre o Movimento Estudantil no Instituto Federal de
Educação Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) são ainda escassas. Apesar de
ser uma instituição centenária, somente nos últimos anos uma política
consistente de preservação da memória institucional foi efetivamente levada a
cabo pela atual gestão do reitor Nicácio Lopes, com a organização do Núcleo de
Documentação e Pesquisa da Educação Profissional. A documentação disponível
sobre o assunto, “guardada” durante décadas pelos estudantes, hoje encontra-se
devidamente organizada e sob a guarda do NDPEP.
Para
guiá-lo na leitura minuciosa do conteúdo denso dessa pesquisa, Luciano Candeia
sugere o seguinte roteiro:
O
Diretório Estudantil Técnico Industrial (DETI) foi fundado em 1961, na Gestão
do Diretor Executivo José Jurema de Carvalho. Seus primeiros presidentes, até
1966:1 – José Victor Soares, 01/05/1961 a 01/05/1962; 2 - Vicente de Paula
Costa, 01/05/1962 a 23/09/1965; 3 – João Pereira do Rêgo, 23/09/1963 a
30/09/1964; 4 - José Antônio de Macêdo, 30/09/1964 a 10/11/1964; 5 – Antônio
Colaço de Medeiros, 10/11/1964 a 14/04/1965; 6 –Mário de Almeida Tourinho,
14/04/1965 a 30/10/1965; 7 – Flamarion Rodrigues da Silva, 30/10/1965 a
20/08/1966 e 8 – Heronides Paiva de Vasconcelos, 30/08/1966 a 05/11/1966. Em
1961, o nome da Instituição era Escola Industrial Coriolano de Medeiros.
Em
1963, o Movimento Estudantil parecia bem ativo na Instituição, Escola
Industrial Coriolano de Medeiros. Os estudantes tomaram parte das atividades
políticas que resultaram na saída do então Diretor José Jurema de Carvalho e
intervenção administrativa na Escola. Fizeram inclusive uma greve,
possivelmente a primeira (talvez a única) greve dos alunos na Instituição. O
objetivo era a renúncia do diretor. Participaram das atividades líderes
estudantis, dentre eles Livino Lopes do Nascimento (Coordenador Geral dos
Secretários executivos da UNETI – União Nacional dos Estudantes Técnicos
Industriais – no Nordeste, sediada em Recife), Vicente de Paula Costa
(Presidente do Diretório Estudantil e Técnico Industrial) e Osni Paes de
Carvalho Rocha (Coordenador da UNETI no estado da Paraíba), todos estudantes do
3º ano do Curso Técnico de Máquinas e Motores. Os estudantes garantiram ao
Comandante do Grupamento de Engenharia “que nenhuma depredação seria feita
contra a instituição que é também deles”.
Em
1967, o DETI muda para Grêmio Técnico Estudantil - GRETE. Sua primeira
Diretoria era formada por: Presidente: José Donato de Sousa (até 30 de
dezembro); Vice-Diretor em exercício: Edson de Carvalho Costa – em mar. 67;
Tesoureiro: Antonio Pereira dos Santos; Diretor Cultural: Novaldo Eugênio
Rodrigues; Diretor de Esportes: José Eduardo de Santana; Adjunto de Esportes:
Ronaldo de Castro; Secretário: Givaldo Maia de Moura.
Depois
do Golpe Militar de 1964: “Com a edição do AI-5 – Ato Institucional n.º 5 em 13
de dezembro de 1968, o Congresso Nacional é fechado, e há um aumento da
repressão e da censura. Com a configuração deste quadro os estudantes se
mobilizam e partem para a luta armada. Assim como a UNE, a UBES, os Grêmios
Estudantis foram fechados e as escolas passam a contar com o CCE - Centro
Cívico Escolar, que apenas burocraticamente representava os estudantes dentro e
fora da unidade escolar.” (GONÇALVES, T.; ROMAGNOLI L. H. A volta da UNE – de
Ibiúna à Salvador. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976).
Em
1971, foram fundados os Centros Cívicos. "Órgão criado a partir do decreto
(68.065/71 de 14 de janeiro) que estimulava a criação de instituições que
promovessem atividades extraclasses, com o intuito de desenvolver uma nova
perspectiva de nação, locais nos quais o jovem pudesse entender e adquirir os
novos hábitos jurídicos, disciplinares, comunitários, manualistas, artísticos,
assistenciais e de recreações. Dando a visão de que a escola deveria
representar uma sociedade em miniatura, em todas as suas características.”
Em
1972, foi marcado como o ano da transição de Grêmio Estudantil para Centro
Cívico. Em 1976, o Presidente do Centro Cívico Coriolano de Medeiros era
Hostílio Ramalho Nitão Filho (hoje empresário na cidade). Na sua Diretoria
ainda tinha: (Vice, Rosangela Pimenta Barbosa; 1º. Secretário, Adriano Pessoa
Neto e 2º. Secretário, Domênica de Medeiros Magliano).
Em
2009, o autor da pesquisa, professor Luciano Candeia, conseguiu um depoimento
de Hostílio: “Com a extinção dos grêmios estudantis pela Ditadura, ainda no
final dos anos sessenta, veio a criação dos Centros Cívicos. Estes iriam
substituir os grêmios, sempre com o controle do governo, pois em sua composição
havia dois professores que dariam o “apoio à entidade”. Mas, com Professora
Concita e a professora Hilka no controle deixando parecer que nós dominávamos a
situação, mas no fundo elas davam o rumo da entidade. Montamos a chapa, com o
slogan “leve amor ao centro cívico”. Na verdade, estávamos tentando namorar
umas irmãs, eu e o Adriano, e acabamos eleitos com a ajuda delas. Disputamos
contra a chapa do hoje quadrinista Emir [Lima] Ribeiro. (Depoimento de
Hostílio, escrito e datado de 2009).
Em 1985, aconteceu a abertura política: Lei dos
Grêmios. “A Lei Nº 7.398, de novembro de 1985 - Dispõe sobre a organização de
entidades estudantis de 1º e 2º graus e assegura aos estudantes o direito de se
organizar em Grêmios”.
Já no ano de 1986, o GRETEC foi fundado depois que
alguns alunos participaram do XXV Congresso da UBES – União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas em Juiz de Fora, MG. Em 1987, primeira Diretoria do
GRETEC. Para acessar cópia do documento oficial de nomeação da primeira
diretoria do Grêmio 10 de Outubro.
Vale
a pena conferir essa pesquisa e dentre outros documentos singulares da memória
institucional do IFPB, visitando as novas instalações do Núcleo de Documentação
e Pesquisa da Educação Profissional (NDPEP). São duas salas repletas de vídeos,
uniformes, bandeiras, troféus, equipamentos, documentos e peças que testemunham
sobre o IFPB desde os tempos de Escola de Aprendizes e Artífices da Paraíba.
Também
podem ser apreciados no local objetos e painéis que guiam o visitante em uma
incursão pela gloriosa história do Instituto Federal da Paraíba. O NDPEP está
desafiado pelos novos tempos. O professor Luciano Candeia e equipe estão dando
início a restauração de fotos e imagens em parceria com a Diretoria de Educação
a Distância e Projetos Especiais (Deadpe). Portanto, não hesite em visitar o
Núcleo de Documentação e Pesquisa da Educação Profissional.
Filipe Donner - diretor geral de Comunicação e
Marketing
http://www.ifpb.edu.br/noticias/2017/04/pesquisa-destaca-fundacao-da-nossa-primeira-organizacao-estudantil
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